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quinta-feira, 10 de março de 2016

Indicação de leitura: "Senhora", de José de Alencar

Para você que quer começar a ler os clássicos da Literatura Brasileira, o livro que indico hoje é o "Senhora", um romance urbano publicado em 1874, na forma de folhetim. É um dos últimos romances de Alencar, publicado dois anos antes da morte do escritor. Dos escritores da "velha guarda", José de Alencar é sem sombra de dúvida, o mais fácil de ler e entender. Seus livros, no geral, falam de um tema universal: o amor.

Segue uma pequena resenha, retirada da Wikipedia, só para te deixar com vontade de ler:


Aurélia Camargo, filha de uma pobre costureira e órfã de pai,depois de perder seu irmão apaixonou-se por Fernando Seixas – homem ambicioso - a quem namorou. Este, porém, desfaz a relação, movido pela vontade de se casar com uma moça rica, Adelaide Amaral, e pelo dote ao qual teria direito de receber.

Passado algum tempo, Aurélia, já órfã de mãe também, recebe uma grande herança do avô e ascende socialmente.Passa, pois, a ser figura de destaque nos eventos da sociedade da época. Dividida entre o amor e o orgulho ferido, ela encarrega seu tutor e tio, Lemos, de negociar seu casamento com Fernando por um dote de cem contos de réis. O acordo realizado inclui, como uma de suas cláusulas, o desconhecimento da identidade da noiva por parte do contratado até as vésperas do casamento.


Ao descobrir que sua noiva é Aurélia, Fernando fica muito feliz, pois, na verdade, nunca deixou de amá-la. A jovem, porém, na noite de núpcias, deixa claro: "comprou-o" para representar o papel de marido que uma mulher na sua posição social deve ter.

Ah, quem me sugeriu deste livro para que eu fizesse o post foi a Rainha das Tags do Twitter, a escritora e social midia Denise Tremura (@detremura).  O bom é que "Senhora" já está no domínio público e você pode baixá-lo através do link:


Então é isso. Gostou? Comente aqui o seu livro preferido e eu faço a resenha!

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Livro: Um passe de mágica - Agatha Christie

 Ler é uma delícia... Ler um livro da Rainha do Crime então, é bom demais. Sou suspeita para falar, adoro os livros da Agatha Christie, e desta vez estou lendo este. Indico!


Título Original:
THEY DO IT WITH MIRRORS

Agatha Christie

Tradução de Rodrigo Breunig

As irmãs Ruth e Carrie Louise são amigas inseparáveis de Miss Marple desde os tempos de colégio. Por isso Ruth não hesita em compartilhar com a adorável investigadora seus piores pressentimentos: Carrie estaria correndo perigo em Stonygates, a mansão da família que agora também abriga um centro de reabilitação para meninos delinquentes. Quando três crimes acontecem na casa, Miss Marple decide juntar todas as peças deste quebra-cabeça antes que sua amiga seja a próxima vítima...
Um passe de mágica é uma das mais conhecidas e celebradas histórias de Agatha Christie. Além de encantar o leitor com a astúcia de Miss Marple, este romance também traz informações curiosas sobre o passado da personagem que fascinarão seus fãs. 
 
 
 
Sinopse e imagem retirada de:  www.lpm.com.br

terça-feira, 7 de outubro de 2014

A Cabana - William P. Young


A Cabana

Autor: YOUNG, WILLIAM P.
Tradutor: CALADO, ALVES
Editora: ARQUEIRO

Sinopse:

A filha mais nova de Mackenzie Allen Philip foi raptada durante as férias em família e há evidências de que ela foi brutalmente assassinada e abandonada numa cabana. Quatro anos mais tarde, Mack recebe uma nota suspeita, aparentemente vinda de Deus, convidando-o para voltar àquela cabana e passar o fim de semana. Ignorando alertas de que poderia ser uma cilada, ele segue numa tarde de inverno e volta ao cenário de seu pior pesadelo. O que encontra lá pode mudar sua vida para sempre.

****

"— Estou cheio, Deus — sussurrou. — Não posso mais. Estou cansado de tentar encontrá-lo em tudo isso. — E saiu pela porta. Decidiu que esta era a última vez que procuraria Deus. Se Deus o quisesse, teria de vir encontrá-lo". 

A Cabana é um livro daqueles que valem a pena ter no acervo pessoal, pois além do autor trazer à tona alguns dos mais profundos questionamentos inerentes à alma humana, tem um enredo bem escrito, belas mensagens, é cativante.

Se Deus é bom, por que permite que seus filhos sofram? Não seria bem mais simples "reformar" o mundo e retirar todo o mal?
E qual a visão que temos de Deus? Como é a relação do divino e o humano? Para que fomos criados? O que é sabedoria?

Longe de ser um discurso teológico ou dogmático ostensivo, este livro não impõe regras, apenas proporciona uma reflexão, uma outra visão das coisas, no mínimo divertida e exótica.

Indico, é uma ótima leitura!

"Todo amor e relacionamento só são possíveis para vocês porque já existem dentro de Mim, dentro do próprio Deus. O amor não é a limitação. O amor é o voo. Eu sou o amor."

sábado, 13 de setembro de 2014

História da Literatura Ocidental sem as partes chatas - Sandra Newman

Indicação de leitura - Crítica literária:

Para você, que como eu, ama Literatura, mas ao mesmo tempo sabe que nem em 150 anos daria tempo de ler todos os livros bons do mundo, aqui vai uma sugestão: os clássicos são importantíssimos, isso não se discute. Mas gosto é igual a nariz, cada um tem o seu. Então como eleger o melhor?
O que dizer de cada autor? Adoro Machado de Assis, porém achei Herman Melville (Moby Dick) um chato, apesar de repetir: posso não ter gostado, mas é um clássico e tem seu mérito.

Outro dia, visitando uma livraria, fiquei encantada pelo título "História da Literatura Ocidental sem as partes chatas", da autora Sandra Newman. Esse livro faz um "passeio" através de toda a Literatura Ocidental, de todas as fases - desde os clássicos gregos até o romance moderno, passando por Homero, Shakespeare, Voltaire, Rousseau, Victor Hugo, Jane Austen, Dostoievski, Tolstoi, James Joyce, Proust e Virginia Woolf. Além disso, traz divertidos resumos de enredos, definições bem-humoradas de movimentos literários e fatos reveladores sobre a vida dos escritores.

Com certeza é um livro bem instrutivo e servirá de roteiro para você ler - ou não - alguns dos melhores clássicos da Literatura.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Eurico, o presbítero - Alexandre Herculano

Pessoal, 

segue um pequeno resumo sobre o livro Eurico, o presbítero, retirado da Wikipédia. Embaixo, há um link muito bom que achei na net, análise da obra.

Bons estudos e abraço a todos!

 
 É um romance histórico de Alexandre Herculano datado de 1844, fala a respeito do fim do Império Godo na região que atualmente compreende Espanha e Portugal diante da conquista dos muçulmanos que avançaram pela maior parte da Península Ibérica.

Enredo

O enredo conta a história de amor entre Eurico e Hermengarda, que se passa na Espanha visigótica do século VIII. Eurico e seu amigo, Teodomiro, lutam ao lado do imperador da Espanha, Vitiza, contra os "montanheses rebeldes e contra a francos, seus aliados". Depois de vencer o combate, Eurico pede ao Duque de Fávila a mão de sua filha, Hermengarda, porém este recusa o pedido ao saber que se trata de um homem de origens humildes.
Eurico, então, se entrega à religiosidade, tornando-se o Presbítero de Cartéia, para se afastar das lembranças de Hermengarda, através das funções religiosas e da composição de poemas e hinos religiosos.
No entanto, quando ele descobre que os árabes estão invadindo a Península Ibérica, liderados por Tarrique, alerta seu amigo Teodomiro e se transforma no enigmático Cavaleiro Negro. De maneira heróica, Eurico, agora Cavaleiro Negro, luta em defesa de sua terra e, devido a seu ímpeto, ganha a admiração dos Godos e lhes dá forças para combater o invasor.
Quando a vitória parece certa para os Godos, Sisibuto e Ebas, filhos do imperador Vitiza, traem seu povo, a fim de ganhar o trono espanhol. Logo após, Roderico, rei dos Godos, morre em batalha e o povo passa a ser liderado por Teodomiro. Enquanto isso, os árabes invadem o Mosteiro da Virgem Dolosa e raptam Hermengarda. O Cavaleiro Negro a salva quando o "amir" estava prestes a profaná-la. Durante a fuga, Hermengarda é levada até as Astúrias, onde está seu irmão Pelágio.
Em segurança numa gruta, Hermengarda encontra Eurico e declara seu amor por ele. Contudo, Eurico não acredita que esse amor possa se concretizar, devido às suas convicções religiosas, e revela a real identidade do Cavaleiro Negro. Ao saber disso, Hermengarda perde a razão e Eurico, ciente de suas obrigações, parte para um combate suicida contra os árabes.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Auto da Barca do Inferno - Análise


Auto da Barca do Inferno



Márcia Lígia Guidin*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação


Antes de mais nada, "auto" é uma designação genérica para peça, pequena representação teatral. Originário na Idade Média, tinha de início caráter religioso; depois tornou-se popular, para distração do povo. Foi Gil Vicente (1465-c. 1537) que introduziu esse tipo de teatro em Portugal.

O "Auto da Barca do Inferno" (c. 1517) representa o juízo final católico de forma satírica e com forte apelo moral. O cenário é uma espécie de porto, onde se encontram duas barcas: uma com destino ao inferno, comandada pelo diabo, e a outra, com destino ao paraíso, comandada por um anjo. Ambos os comandantes aguardam os mortos, que são as almas que seguirão ao paraíso ou ao inferno.

Resumo do enredo

Os mortos começam a chegar. Um fidalgo é o primeiro. Ele representa a nobreza, e é condenado ao inferno por seus pecados, tirania e luxúria. O diabo ordena ao fidalgo que embarque. Mas ele, arrogante, julga-se merecedor do paraíso, pois deixou muita gente rezando por ele. Recusado pelo anjo, encaminha-se, frustrado, para a barca do inferno; mas tenta convencer o diabo a deixá-lo a rever sua amada, pois esta "sente muito" sua falta. O diabo destrói seu argumento, afirmando que ela o estava enganando.

Um agiota chega a seguir. Ele também é condenado ao inferno por ganância e avareza. Tenta convencer o anjo a ir para o céu, mas não consegue. Também pede ao diabo que o deixe voltar para pegar a riqueza que acumulou, mas é impedido e acaba na barca do inferno.

O terceiro indivíduo a chegar é o parvo (um tolo, ingênuo). O diabo tenta convencê-lo a entrar na barca do inferno; quando o parvo descobre qual é o destino dela, vai falar com o anjo. Este, agraciando-o por sua humildade, permite-lhe entrar na barca do céu.

Mais personagens

A alma seguinte é a de um sapateiro, com todos os seus instrumentos de trabalho. Durante sua vida enganou muitas pessoas, e tenta enganar também o diabo. Como não consegue, recorre ao anjo, que o condena como alguém que roubou do povo.

O frade é o quinto a chegar... com sua amante. Chega cantarolando. Sente-se ofendido quando o diabo o convida a entrar na barca do inferno, pois, sendo representante religioso, crê que teria perdão. Foi, porém, condenado ao inferno por falso moralismo religioso.

Brísida Vaz, feiticeira e alcoviteira, é recebida pelo diabo, que lhe diz que seu o maior bem são "seiscentos virgos postiços". Virgo é hímen, representa a virgindade. Compreendemos que essa mulher prostituiu muitas meninas virgens, e "postiço" nos faz acreditar que enganara seiscentos homens, dizendo que tais meninas eram virgens. Brísida Vaz tenta convencer o anjo a levá-la na barca do céu inutilmente. Ela é condenada por prostituição e feitiçaria.

Judeus e "cristãos novos"

A seguir, é a vez do judeu, que chega acompanhado por um bode. Encaminha-se direto ao diabo, pedindo para embarcar, mas até o diabo recusa-se a levá-lo. Ele tenta subornar o diabo, porém este, com a desculpa de não transportar bodes, o aconselha a procurar outra barca. O judeu fala então com o anjo, porém não consegue aproximar-se dele: é impedido, acusado de não aceitar o cristianismo. Por fim, o diabo aceita levar o judeu e seu bode, mas não dentro de sua barca, e, sim, rebocados.

Tal trecho faz-nos pensar em preconceito anti-semita. É necessário entender, porém, que durante o reinado de dom Manuel, de 1495-1521, muitos judeus foram expulsos de Portugal, e os que ficaram, tiveram que se converter ao cristianismo, sendo perseguidos e chamados de "cristãos novos". Ou seja, Gil Vicente segue, nesta obra, o espírito da época.

Representantes do judiciário

O corregedor e o procurador, representantes do judiciário, chegam, a seguir, trazendo livros e processos. Quando convidados pelo diabo para embarcarem, começam a tecer suas defesas e encaminham-se ao anjo. Na barca do céu, o anjo os impede de entrar: são condenados à barca do inferno por manipularem a justiça em benefício próprio. Ambos farão companhia à Brísida Vaz, revelando certa familiaridade com a cafetina - o que nos faz crer em trocas de serviços entre eles e ela...

O próximo a chegar é o enforcado, que acredita ter perdão para seus pecados, pois em vida foi julgado e enforcado. Mas também é condenado a ir ao inferno por corrupção.

Por fim, chegam à barca quatro cavaleiros que lutaram e morreram defendendo o cristianismo. Estes são recebidos pelo anjo e perdoados imediatamente.

O bem e o mal

Como você percebeu, todos os personagens que têm como destino o inferno possuem algumas características comuns, chegam trazendo consigo objetos terrenos, representando seu apego à vida; por isso, tentam voltar. E os personagens a quem se oferece o céu são cristãos e puros. Você pode perceber que o mundo aqui ironizado pelo autor é maniqueísta: o bem e o mal; o bom e o ruim são metades de um mundo moral simplificado.

Características

O "Auto da Barca do Inferno" faz parte de uma trilogia (Autos da Barca "da Glória", "do Inferno" e "do Purgatório"). Escrito em versos de sete sílabas poéticas, possui apenas um ato, dividido em várias cenas. A linguagem entre os personagens é coloquial - e é através das falas que podemos classificar a condição social de cada um dos personagens.

Valores de duas épocas

Escrita na passagem da Idade Média para a Idade Moderna, a obra oscila entre os seus valores morais de duas épocas: ao mesmo tempo que há um severa crítica à sociedade, típica da Idade Moderna, a obra também está religiosamente voltada para a figura de Deus, o que é uma característica medieval.

A sátira social é implacável e coloca em prática um lema, que é "rindo, corrigem-se os defeitos da sociedade". A obra tem, portanto, valor educativo muito forte. A sátira vicentina serve para nos mostrar, tocando nas feridas sociais de seu tempo, que havia um mundo melhor, em que todos eram melhores. Mas é um mundo perdido, infelizmente. Ou seja, a mensagem final, por trás dos risos, é um tanto pessimista.


Recomendo o site, é ótimo:



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