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domingo, 28 de agosto de 2016

Trilogia "O Século", de Ken Follet - Volumes II e III

Como falei aqui do primeiro volume, nada mais justo falar da continuação desse brilhante romance histórico. Um dos pontos fortes do escritor britânico Ken Follett é justamente saber "costurar" a trama, mesclando os momentos históricos e a pura ficção com maestria.

Sem dúvida, essa trilogia merece a minha indicação. As sinopses que seguem abaixo não são de minha autoria, foram retiradas do site da Livraria Saraiva, mas como estão bem-feitas, decidi colocá-las aqui. 

Abraços a todos os amigos que me acompanham o blog.


Título: "Inverno do mundo"
Autor: Ken Follett
Gênero: Ficção inglesa/ Romance histórico.



'Inverno do mundo' retoma a história do ponto exato em que termina o primeiro livro. As cinco famílias – americana, alemã, russa, inglesa e galesa – que tiveram seus destinos entrelaçados no alvorecer do século XX embarcam agora no turbilhão social, político e econômico que começa com a ascensão do Terceiro Reich. A nova geração terá de enfrentar o drama da Guerra Civil Espanhola e da Segunda Guerra Mundial, culminando com a explosão das bombas atômicas.

A vida de Carla von Ulrich, filha de pai alemão e mãe inglesa, sofre uma reviravolta com a subida dos nazistas ao poder, o que a leva a cometer um ato de extrema coragem. Woody e Chuck Dewar, dois irmãos americanos cada qual com seu segredo, seguem caminhos distintos que levam a eventos decisivos – um em Washington, o outro nas selvas sangrentas do Pacífico.

Em meio ao horror da Guerra Civil Espanhola, o universitário inglês Lloyd Williams descobre que tanto o comunismo quanto o fascismo têm de ser combatidos com o mesmo fervor. A jovem e ambiciosa americana Daisy Peshkov só se preocupa com status e popularidade até a guerra transformar sua vida mais de uma vez. Enquanto isso, na URSS, seu primo Volodya consegue um cargo na inteligência do Exército Vermelho que irá afetar não apenas o conflito em curso, como também o que está por vir.

Como em toda obra de Ken Follett, o contexto histórico pesquisado com minúcia é costurado de forma brilhante à trama, povoada por personagens que esbanjam nuance e emoção. Com grande paixão e mão de mestre, o autor nos conduz a um mundo que pensávamos conhecer e que a partir de agora não parecerá mais o mesmo.

Minha avaliação:

Título: "Eternidade por um fio"
Autor: Ken Follett
Gênero: Ficção inglesa/ Romance histórico.

Durante toda a trilogia “O Século”, Ken Follett narrou a saga de cinco famílias – americana, alemã, russa, inglesa e galesa. Agora seus personagens vivem uma das épocas mais tumultuadas da história, a enorme turbulência social, política e econômica entre as décadas de 1960 e 1980, com a luta pelos direitos civis, assassinatos, movimentos políticos de massa, a guerra do Vietnã, o Muro de Berlim, a Crise dos Mísseis de Cuba, impeachment presidencial, revolução... e rock and roll!

Na Alemanha Oriental, a professora Rebecca Hoffman descobre que durante anos foi espionada pela polícia secreta e comete um ato impulsivo que afetará sua família para o resto de suas vidas. 

George Jakes, filho de um casal mestiço, abre de mão de uma brilhante carreira de advogado para trabalhar no Departamento de Justiça de Robert F. Kennedy e acaba se vendo não só no meio do turbilhão da luta pelos direitos civis, como também numa batalha pessoal. 

Cameron Dewar, neto de um senador, aproveita a chance de fazer espionagem oficial e extraoficial para uma causa em que acredita, mas logo descobre que o mundo é um lugar muito mais perigoso do que havia imaginado. 

Dimka Dvorkin, jovem assessor de Nikita Khruschev, torna-se um agente primordial no Kremlim, tanto para o bem quanto para o mal, à medida que os Estados Unidos e a União Soviética fazem sua corrida armamentista que deixará o mundo à beira de uma guerra nuclear. 

Enquanto isso, as ações de sua irmã gêmea, Tanya, a farão partir de Moscou para Cuba, Praga Varsóvia – e para a história.

Como sempre acontece nos livros de Ken Follett, o contexto histórico é brilhantemente pesquisado, a ação é rápida, os personagens são ricos em nuances e emoção. Com a mão de um mestre, ele nos leva a um mundo que pensávamos conhecer, mas que nunca mais vai nos parecer o mesmo.

Minha avaliação:





Se você não viu o post sobre o primeiro volume, "Queda de gigantes", é só clicar aqui.

domingo, 29 de maio de 2016

Livro: Queda de gigantes - Ken Follett

Ultimamente não tenho feito tantas resenhas, pois me apaixonei por uma trilogia de um dos meus autores favoritos,  e,  como os livros têm cerca de mil páginas cada, demorei um pouco mais para terminar, também devido ao meu pouco tempo.

Enfim, fica a dica para quem gosta de romances históricos, esse é excelente, além de ser muito bem escrito, vai resgatar lá do fundo da sua alma aquelas partes das aulas de História que você teve no Ensino Médio. 


Queda de Gigantes


Cinco famílias, cinco países e cinco destinos marcados por um período dramático da história.Queda de gigantes, o primeiro volume da trilogia “O Século”, do consagrado Ken Follett, começa no despertar do século XX, quando ventos de mudança ameaçam o frágil equilíbrio de forças existente – as potências da Europa estão prestes a entrar em guerra, os trabalhadores não aguentam mais ser explorados pela aristocracia e as mulheres clamam por seus direitos.

De maneira brilhante, Follett constrói sua trama entrelaçando as vidas de personagens fictícios e reais, como o rei Jorge V, o Kaiser Guilherme, o presidente Woodrow Wilson, o parlamentar Winston Churchill e os revolucionários Lênin e Trótski. O resultado é uma envolvente lição de história, contada da perspectiva das pessoas comuns, que lutaram nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, ajudaram a fazer a Revolução Russa e tornaram real o sonho do sufrágio feminino.

Ao descrever a saga de famílias de diferentes origens – uma inglesa, uma galesa, uma russa, uma americana e uma alemã –, o autor apresenta os fatos sob os mais diversos pontos de vista. Na Grã-Bretanha, o destino dos Williams, uma família de mineradores de Gales do Sul, acaba irremediavelmente ligado por amor e ódio ao dos aristocráticos Fitzherberts, proprietários da mina de carvão onde Billy Williams vai trabalhar aos 13 anos e donos da bela mansão em que sua irmã, Ethel, é governanta.

Na Rússia, dois irmãos órfãos, Grigori e Lev Peshkov, seguem rumos opostos em busca de um futuro melhor. Um deles vai atrás do sonho americano e o outro se junta à revolução bolchevique. A guerra interfere na vida de todos. O alemão Walter von Ulrich tem que se separar de seu amor, lady Maud, e ainda lutar contra o irmão dela, o conde Fitz. Nem mesmo o americano Gus Dewar, o assessor do presidente Wilson que sempre trabalhou pela paz, escapa dos horrores da frente de batalha.

Enquanto a ação se desloca entre Londres, São Petersburgo, Washington, Paris e Berlim, Queda de gigantes retrata um mundo em rápida transformação, que nunca mais será o mesmo. O século XX está apenas começando.

Tradução: Fernanda Abreu com a colaboração de Fabiano Morais
ISBN: 9788599296851
Páginas: 912

Texto retirado de: http://ken-follett.com/br/

sexta-feira, 29 de abril de 2016

As aventuras de Sherlock Holmes - Sir Arthur Conan Doyle

Terminei de reler esse clássico da literatura policial inglesa... Sempre vale a pena.


INFORMAÇÕES SOBRE O LIVRO

Título: As Aventuras de Sherlock Holmes
Autor: Arthur Conan Doyle
Gênero: Investigativo, Drama, Policial
Ano de Lançamento: 1892

SINOPSE


As Aventuras de Sherlock Holmes, publicado pela primeira vez em 1892, reúne doze contos publicados inicialmente entre 1891 e 1892 na revista The Strand. Nesta coletânea podemos encontrar, entre outros casos, Um Escândalo na Boêmia, que gira à volta da astuta Irene Adler, Um caso de identidade, A faixa malhada ou O mistério do Vale Boscombe.
Sempre ajudado pelo inestimável Doutor Watson, Sherlock Holmes nunca deixa por resolver os casos que lhe são apresentados. Graças ao seu método lógico-dedutivo, Holmes consegue sempre surpreender os leitores com as suas deduções, recorrendo às coisas mais triviais para solucionar mistérios aparentemente insolvíveis, com a inteligência e a energia que o transformaram numa das mais brilhantes e fascinantes personagens da literatura policial.

 Fonte da Sinopse: Livros.net

domingo, 3 de abril de 2016

Paratii: entre dois polos

Olá amigos(as)!



Terminei hoje uma leitura muito agradável. Recomendo para todos os que como eu, são apaixonados pelo mar. Em Paratii, o navegador Amyr Klink conta os detalhes de sua viagem solitária aos Polos, de maneira super divertida.

Veja a resenha publicada pela Editora Companhia das Letras:

Amyr Klink é sempre surpreendente. Depois de cruzar o Atlântico em um minúsculo barco a remo - travessia relatada em Cem dias entre céu e mar -, lançou-se em outro projeto assombroso: passar um ano inteiro na Antártica, dos quais seis meses imobilizado no gelo, em companhia apenas de pinguins e leões-marinhos. Para realizar esse sonho, no final de 1989 partiu no veleiro Paratii para uma viagem que iria durar 22 meses. Navegando solitário por mais de 50 000 quilômetros, alcançou não apenas o continente gelado do Sul, mas também as geleiras do polo Norte. E trouxe na bagagem dois punhados de pedrinhas, um da Antártica e outro do Ártico: símbolos da misteriosa matéria de que são feitos os mais belos e ousados sonhos.

Abraços,

Taís

quinta-feira, 10 de março de 2016

Indicação de leitura: "Senhora", de José de Alencar

Para você que quer começar a ler os clássicos da Literatura Brasileira, o livro que indico hoje é o "Senhora", um romance urbano publicado em 1874, na forma de folhetim. É um dos últimos romances de Alencar, publicado dois anos antes da morte do escritor. Dos escritores da "velha guarda", José de Alencar é sem sombra de dúvida, o mais fácil de ler e entender. Seus livros, no geral, falam de um tema universal: o amor.

Segue uma pequena resenha, retirada da Wikipedia, só para te deixar com vontade de ler:


Aurélia Camargo, filha de uma pobre costureira e órfã de pai,depois de perder seu irmão apaixonou-se por Fernando Seixas – homem ambicioso - a quem namorou. Este, porém, desfaz a relação, movido pela vontade de se casar com uma moça rica, Adelaide Amaral, e pelo dote ao qual teria direito de receber.

Passado algum tempo, Aurélia, já órfã de mãe também, recebe uma grande herança do avô e ascende socialmente.Passa, pois, a ser figura de destaque nos eventos da sociedade da época. Dividida entre o amor e o orgulho ferido, ela encarrega seu tutor e tio, Lemos, de negociar seu casamento com Fernando por um dote de cem contos de réis. O acordo realizado inclui, como uma de suas cláusulas, o desconhecimento da identidade da noiva por parte do contratado até as vésperas do casamento.


Ao descobrir que sua noiva é Aurélia, Fernando fica muito feliz, pois, na verdade, nunca deixou de amá-la. A jovem, porém, na noite de núpcias, deixa claro: "comprou-o" para representar o papel de marido que uma mulher na sua posição social deve ter.

Ah, quem me sugeriu deste livro para que eu fizesse o post foi a Rainha das Tags do Twitter, a escritora e social midia Denise Tremura (@detremura).  O bom é que "Senhora" já está no domínio público e você pode baixá-lo através do link:


Então é isso. Gostou? Comente aqui o seu livro preferido e eu faço a resenha!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Leminski: A lua no cinema e o melhor da semana...

A lua no cinema



A lua foi ao cinema,

passava um filme engraçado,

a história de uma estrela

que não tinha namorado.


Não tinha porque era apenas

uma estrela bem pequena,

dessas que, quando apagam,

ninguém vai dizer, que pena!


Era uma estrela sozinha,

ninguém olhava pra ela,

e toda a luz que ela tinha

cabia numa janela.


A lua ficou tão triste

com aquela história de amor

que até hoje a lua insiste:

— Amanheça, por favor!


LEMINSKI, Paulo

in “Melhores Poemas de Paulo Leminski”, organização de Fred Góes, editora Global.


Circulando por aí, achei uns posts e matérias bem interessantes. Venha junto comigo neste passeio!

As lições atemporais de “O Pequeno Príncipe” - "O Pequeno Príncipe é uma obra atemporal. Quando li o livro, aos 13 anos, entendi que havia uma mensagem além da narrativa simples. Mas só com o passar dos anos suas várias nuances se fizeram mais claras para mim. O que ficou foi a lição de que temos de conjugar mais o verbo “ser” do que o “ter”. Somos pessoas melhores quando nutrimos relações baseadas no carinho, quando encaramos a vida de maneira lúdica. Não podemos criar crianças sem fantasia, sem amigos. Elas precisarão dessa infância amorosa e imaginativa para ser bons adultos. Foi a educação que eu dei para meus filhos e a que eles dão a meus netos, Clarice, de 5 anos, e Breno, de 2. Fiquei muito emocionado depois que acabei a dublagem e vi o resultado. O filme reflete minha relação de amizade com meus netos. Eu os vejo pelo menos três vezes por semana e tento proporcionar a eles uma vida livre e criativa. Nesse sentido, sou um pouco como o Aviador. Meus netos têm um amigo lúdico que crê numa vida com menos obrigações e menos tarefas".

Leia mais: http://www.livrosepessoas.com/2015/11/29/as-licoes-atemporais-de-o-pequeno-principe/


Gosta do Caetano Veloso? Eu também. Deixe-me contar: o artista disponibilizou a discografia completa no site oficial Amei!

Acesse: http://www.caetanoveloso.com.br/discografia.php


Dica de Língua Portuguesa, por António Pereira: qual a abreviatura de minuto: m., m, min. ou min?

http://www.dihitt.com/barra/qual-a-abreviatura-de-minuto-m-m-min-ou-min

Uma grande estrela se despede de nós:
"Marília Pêra, 2012" por Ministério da Cultura - Wikipedia 

Marília Marzullo Pêra (Rio de Janeiro, 22 de janeiro de 1943 – Rio de Janeiro, 5 de dezembro de 2015) foi uma atriz, cantora e diretora teatral brasileira.

Além de interpretar, Marília cantava, dançava e atuava também como coreógrafa, produtora e diretora de peças e espetáculos musicais.

Era uma artista completa e atuava com paixão.

Marília, cerraram-se as cortinas, apagaram-se as luzes da ribalta, porém a sua estrela continuará brilhando, enquanto a sua obra for lembrada...

Leitura da semana:

CLÁSSICOS DO CINEMA #50 EPARÓDIA I: TRAPAÇA FANTASMA

A Turminha vive uma divertida aventura numa galáxia distante. Clima de Star Wars no ar!

Por falar em Mauricio de Sousa, ele foi o grande homenageado do maior prêmio literário do Brasil, o Jabuti, concedido pela Câmara Brasileira do Livro.

Leia mais: 
http://turmadamonica.uol.com.br/mauricio-de-sousa-e-o-grande-homenageado-do-premio-jabuti-2015/

sábado, 14 de novembro de 2015

Leitura do fim de semana: Natal de Ouro Disney nº 6


O Almanaque Natal de Ouro nº 6 traz nove histórias inéditas, selecionadas por Paulo Maffia.
Tem o gosto da minha infância, com direito a Papai Noel, reflexões sobre a solidariedade e sovinices do Tio Patinhas. Gostei.


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

José Mauro de Vasconcelos - Meu pé de laranja lima

José Mauro de Vasconcelos (Rio de Janeiro, 26 de fevereiro de 1920 — São Paulo, 24 de julho de 1984 ) foi um escritor brasileiro. Em homenagem aos seus 95 anos de nascimento, lá vai este post.

Google homenageia José Mauro de Vasconcelos pelo seu 95o. aniversário de nascimento: http://www.dm.com.br/revista/2015/02/google-homenageia-autor-de-meu-pe-de-laranja-lima.html


José Mauro de Vasconcelos foi um dos escritores que acompanharam a minha adolescência e início da idade adulta. Li quase todos os livros dele. Gosto da escrita dele, pois é bem envolvente. O livro mais inocente é o infantojuvenil Meu pé de laranja lima, que traz as reminiscências de uma infância que talvez não exista mais: cheiro de terra molhada, a amizade da criança com uma árvore, a realidade de um garoto pobre, repleto de sentimentos, antes da primavera tecnológica, ou seja, naquela época em que as crianças brincavam na rua, subiam em árvores, tinham carrinhos de rolimã, peões, ioiôs - hoje elas trocam tudo isso por um tablet!
Seus outros romances e obras trazem uma descrição extremamente realista e melancólica dos lugares, épocas e costumes das regiões do Brasil. Cenários como os garimpos da corrida do ouro, os seringais do Norte, a cidadezinha mais distante do Acre... Dá para sentir o cheiro e o gosto do café, a realidade nua e crua das brigas dos peões, a dureza da pobreza, as mulheres na beira da estrada e as profundas diferenças entre as classes sociais. Sim, se você é brasileiro, tem que ler. Ele foi um dos "caras" da nossa literatura contemporânea. 

    Obras:

    Banana Brava (1942)
    Barro Blanco (1948)
    Longe da Terra (1949)
    Vazante (1951)
    Arara Vermelha (1953)
    Arraia de Fogo (1955)
    Rosinha, Minha Canoa (1962)
    Doidão (1963)
    O Garanhão das Praias (1964)
    Coração de Vidro (1964)
    As Confissões de Frei Abóbora (1966)
    Meu Pé de Laranja Lima (1968)
    Rua Descalça (1969)
    O Palácio Japonês (1969)
    Farinha Órfã (1970)
    Chuva Crioula (1972)
    O Veleiro de Cristal (1973)
    Vamos Aquecer o Sol (1974)
    A Ceia (1975)
    O Menino Invisível (1978)
    Kuryala: Capitão e Carajá (1979)

********

Meu pé de laranja lima

Editora:     MELHORAMENTOS
Ano:     1968

Sinopse:

Na obra juvenil mais conhecida de José Mauro, a pobreza, a solidão e o desajuste social vistos pelos olhos ingênuos de uma criança de seis anos. Nascido em uma família pobre e numerosa, Zezé é um menino especial, que envolve o leitor ao revelar seus sonhos e desejos, por meio de conversas com o seu pé de laranja lima, encontrando na fantasia a alegria de viver. (Retirado do site da Livraria Cultura)
 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Um gato de rua chamado Bob - James Bowen

Fiquei simplesmente apaixonada por este livro. É verdade, sou suspeita, porque adoro gatos e já tive um laranjinha muito parecido, meu inesquecível Chaninho, mas se trata de uma história real de amizade e afeto daquelas que emociona. É daqueles livros que você lê de uma tacada só, não consegue desgrudar até terminar! Recomendo!

www.submarino.com.br
 Um gato de rua chamado Bob

Autor: Bowen, James

Editora: Novo Conceito

Ano: 2013

É uma tarde de outono em Covent Garden, Londres. Trabalhadores correm para o almoço, turistas brotam de todos os lados e clientes entram e saem das lojas.No meio de tudo isso está um gato. Usando um vistoso lenço Union Jack em volta do pescoço e cercado por uma multidão de 30 espectadores de boca aberta, Bob, o gatinho cor de laranja, sorri - é, sorri - timidamente.

Próximo a ele, está seu dono James Bowen, com seu violão surrado, cantando músicas do Oasis. Então, ele para de tocar e se abaixa para Bob: "Vamos, Bob, cumprimente!", diz. Bob mexe os bigodes, levanta uma pata e a estende para James. A multidão assobia. Não é todo dia que se vê um gato sentado, calmamente, no centro de Londres, aparentemente sem se abalar com o barulho das sirenes, os carros passando e todo aquele movimento - mas Bob não é um gato comum... (Resenha do site Submarino)

www.amordegato.com.br
Bem, aí em cima estão o James e o Bob, uma cena bonita de se ver. Leia as últimas notícias e histórias de deles em https://www.facebook.com/StreetCatBob e @StreetCatBob

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Um pressentimento funesto - Agatha Christie

Gente querida que acompanha o blog, eu adoro os livros da Agatha Christie, a eterna Rainha do Crime. Para começar bem o ano de 2015 eu reli este livro que coloco a resenha abaixo. Gostei! Apesar de ter lido há tempos, não lembrava a trama, foi como ler algo inédito. Recomendo!
Imagem: L&PM Editores

UM PRESSENTIMENTO FUNESTO
Título em inglês: BY THE PRICKING OF MY THUMBS

Agatha Christie
Tradução de Bruno Alexander

Parecia que o futuro reservaria apenas calma e tranquilidade para o casal Tommy e Tuppence Beresford. Mas, em uma visita de rotina à tia de Tommy num asilo para senhoras, Tuppence acaba conhecendo a estranha sra. Lancaster, que lhe fez uma inusitada pergunta: A coitadinha era sua filha?. Sem entender do que ela estava falando, Tuppence fica mais perplexa ainda quando descobre que a sra. Lancaster foi levada para outro asilo por uma misteriosa parente e decide investigar a fundo seu desaparecimento. O casal Beresford não vai medir esforços para entender até que ponto suas suspeitas têm fundamento, mesmo que para isso suas vidas corram perigo. (Resenha: L&PM Editores)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Natal - Uma crônica de Rubem Braga


É noite de Natal, e estou sozinho na casa de um amigo, que foi para a fazenda. Mais tarde talvez saia. Mas vou me deixando ficar sozinho, numa confortável melancolia, na casa quieta e cômoda. Dou alguns telefonemas, abraço à distância alguns amigos. Essas poucas vozes, de homem e de mulher, que respondem alegremente à minha, são quentes, e me fazem bem, "Feliz Natal, muitas felicidades!"; dizemos essas coisas simples com afetuoso calor; dizemos e creio que sentimos; e como sentimos, merecemos. Feliz Natal!

Desembrulho a garrafa que um amigo teve a lembrança de me mandar ontem; vou lá dentro, abro a geladeira, preparo um uísque, e venho me sentar no jardinzinho, perto das folhagens úmidas. Sinto-me bem, oferecendo-me este copo, na casa silenciosa, nessa noite de rua quieta. Este jardinzinho tem o encanto sábio e agreste da dona da casa que o formou. É um pequeno espaço folhudo e florido de cores, que parece respirar; tem a vida misteriosa das moitas perdidas, um gosto de roça, uma alegria meio caipira de verdes, vermelhos e amarelos.

Penso, sem saudade nem mágoa, no ano que passou. Há nele uma sombra dolorosa; evoco-a neste momento, sozinho, com uma espécie de religiosa emoção. Há também, no fundo da paisagem escura e desarrumada desse ano, uma clara mancha de sol. Bebo silenciosamente a essas imagens da morte e da vida; dentro de mim elas são irmãs. Penso em outras pessoas. Sinto uma grande ternura pelas pessoas; sou um homem sozinho, numa noite quieta, junto de folhagens úmidas, bebendo gravemente em honra de muitas pessoas.

De repente um carro começa a buzinar com força, junto ao meu portão. Talvez seja algum amigo que venha me desejar Feliz Natal ou convidar para ir a algum lugar. Hesito ainda um instante; ninguém pode pensar que eu esteja em casa a esta hora. Mas a buzina é insistente. Levanto-me com certo alvoroço, olho a rua e sorrio: é um caminhão de lixo. Está tão carregado, que nem se pode fechar; tão carregado como se trouxesse todo o lixo do ano que passou, todo o lixo da vida que se vai vivendo. Bonito presente de Natal!

0 motorista buzina ainda algumas vezes, olhando uma janela do sobrado vizinho. Lembro-me de ter visto naquela janela uma jovem mulata de vermelho, sempre a cantarolar e espiar a rua. É certamente a ela quem procura o motorista retardatário; mas a janela permanece fechada e escura. Ele movimenta com violência seu grande carro negro e sujo; parte com ruído, estremecendo a rua.

Volto à minha paz, e ao meu uísque. Mas a frustração do lixeiro e a minha também quebraram o encanto solitário da noite de Natal. Fecho a casa e saio devagar; vou humildemente filar uma fatia de presunto e de alegria na casa de uma família amiga.


Texto extraído do livro "A Borboleta Amarela", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1963, pág. 124.



domingo, 30 de novembro de 2014

Fernão Capelo Gaivota - Richard Bach

"Amanhecia um novo dia de trabalho. Mas lá ao fundo, sozinho, longe do barco e da costa, Fernão Capelo Gaivota treinava. A trinta metros da superfície azul brilhante, baixou os seus pés com membranas, levantou o bico e tentou a todo custo manter suas asas numa dolorosa curva. A curva fazia com que voasse devagar, e então sua velocidade diminuiu até que o vento não fosse mais que um ligeiro sopro, e o oceano com que tivesse parado, abaixo dele. Cerrou os olhos para se concentrar melhor, susteve a respiração e forçou... só... mais... um... centímetro... de... curva... Mas as penas levantaram-se em turbilhão, atrapalhou-se e caiu".




Quando li este livro pela primeira vez, eu tinha sete anos de idade. Aprendi a ler aos cinco anos, e aos sete já garimpava a biblioteca municipal, sebos e bazares da cidade em busca não de Literatura Infantojuvenil, como seria normal para a minha idade, mas enfim, de livros que tivessem mais páginas para ler e não acabassem tão rápido...

O título me conquistou pelo seu texto fácil e lindas fotos. É curioso falar isso, mas o desejo de voar sempre esteve ligado a uma sensação maravilhosa de liberdade. A história de Fernão Capelo Gaivota me fez alçar voo a bordo dos meus sete anos. Sentia-me nas asas daquela gaivota atrapalhada e teimosa - mas que queria algo mais. Eu também: li tudo o que havia em casa, continuo lendo até hoje. E ainda não atingi minha perfeição de voo ainda. Continuo tentando.

Então, Fernão Capelo Gaivota é uma "fábula" que deve ser lida por todos. Se você vai gostar, não sei. Todos nós nos assemelhamos a um tipo de gaivota. Qual deles é você?

*******

Sinopse: Fernão Capelo Gaivota é um romance de Richard Bach, publicado em 1970. Publicado originalmente nos Estados Unidos com o título de "Jonathan Livingston Seagull — a story", foi lançado neste mesmo ano no Brasil como "A História de Fernão Capelo Gaivota" pela editora Nórdica.

Uma gaivota de nome Fernão decide que voar não deve ser apenas uma forma para a ave se movimentar. A história desenrola-se sobre o fascínio de Fernão pelas acrobacias que pode modificar e em como isso transtorna o grupo de gaivotas do seu clã. É uma história sobre liberdade, aprendizagem e amor.

Fonte: Wikipedia

sábado, 15 de novembro de 2014

Festa de aniversário – Crônica de Fernando Sabino


Leonora chegou-se para mim, a carinha mais limpa desse mundo:
– Engoli uma tampa de Coca-Cola.
Levantei as mãos para o céu: mais essa agora! Era uma festa de aniversário, o aniversário dela própria, que completava seis anos de idade. Convoquei imediatamente a família:
– Disse que engoliu uma tampa de Coca-Cola.
A mãe, os tios, os avós, todos a cercavam, nervosos e inquietos. Abre a boca minha filha. Agora não adianta: já engoliu. Deve ter arranhado. Mas engoliu como? Quem é que engole uma tampa de cerveja? De cerveja, não: de Coca-Cola. Pode ter ficado na garganta – urgia que tomássemos uma providência, não ficássemos ali, feito idiotas. Peguei-a no colo: vem cá minha filhinha, conta só pra mim: você engoliu coisa nenhuma, não é isso mesmo? – Engoli sim papai! – Ela afirmava com decisão. Consultei o tio, baixinho: o que é que você acha? Ele foi buscar uma tampa de garrafa, separou a cortiça do metal:
– O que é que você engoliu: isto... Ou isto?
– Cuidado que ela engole outra. – Adverti.
– Isto! – E ela apontou com firmeza a parte de metal.
Não tinha dúvida: pronto-socorro. Dispus-me a carregá-la, mas alguém sugeriu que era melhor que ela fosse andando: auxiliava a digestão.
No hospital, o médico limitou-se a apalpar-lhe a barriguinha, cético:
– Dói aqui, minha filha?
Quando falamos em radiografia, revelou-nos que o aparelho estava com defeito: só no pronto-socorro da cidade.
Batemos para o pronto-socorro da cidade. Outro médico nos atendeu com solicitude:
– Vamos já ver isto.
Tirada a chapa, ficamos aguardando ansiosa revelação. Em pouco o médico regressava:
Engoliu foi a garrafa.
– A garrafa? – Exclamei. Mas, era uma gracinha dele, cujo espírito passava muito ao largo da minha aflição: eu não estava para graças. Uma tampa de garrafa! Certamente precisaria operar – não haveria de sair por si mesma.
O médico pôs-se a rir de mim:
– Não engoliu coisa nenhuma. O senhor pode ir descansado.
– Engoli! – afirmou a menininha.
– Voltei-me para ela:
– Como é que você ainda insiste minha filha?
– Que eu engoli, engoli.
– Pensa que engoliu. – emendei.
– Isso acontece. – sorriu o médico: - Até com gente grande. Aqui já teve um guarda que pensou ter engolido o apito.
– Pois eu engoli mesmo – comentou ela, intransigente.
– Você não pode ter engolido – arrematei já impaciente: - Quer saber mais do que o médico?
– Quero. Eu engoli, e depois desengoli! – Esclareceu ela.
Nada mais havendo a fazer, engoli em seco, despedi-me do médico e bati em retirada com toda a comitiva.

SABINO, Fernando. A vitória da infância. São Paulo: Editora Nacional, 1984.

Fernando Sabino - o mago das crônicas



Fernando Tavares Sabino (Belo Horizonte, 12 de outubro de 1923 — Rio de Janeiro, 11 de outubro de 2004) foi um escritor e jornalista brasileiro.
Na minha humilde opinião, um dos maiores cronistas que o Brasil já teve. Um mago que transformava situações corriqueiras em crônicas maravilhosas, capazes de arrancar gargalhadas ou provocar uma lágrima. Não foi à toa que muitas delas foram parar na coleção paradidática da Editora Ática "Para Gostar de Ler". Descobri Sabino aos sete anos de idade, e, aos catorze, tinha lido todos os títulos do autor que estavam na biblioteca pública. Basta dizer que gostei de todos, menos um: Zélia, uma paixão (polêmica biografia de Zélia Cardoso de Mello, ex-Ministra da Economia do governo Collor), que para mim, foi sua única "bola fora".

Obras:

• A marca (1944, José Olympio)
• A cidade vazia (1950, O Cruzeiro)
• A vida real (1952, Editora A Noite)
• O encontro marcado (1956, Civilização Brasileira)
• O homem nu (1960, Editora do Autor)
• A mulher do vizinho (1962, Editora do Autor)
• A companheira de viagem (1965, Editora do Autor)
• A inglesa deslumbrada (1967, Sabiá)
• Gente (1975, Record)
• Deixa o Alfredo falar! (1976, Record)
• O encontro das águas (1977, Record)
• O grande mentecapto (1979, Record)
• A falta que ela me faz (1980, Record)
• O menino no espelho (1982, Record)
• O gato sou eu (1983, Record)
• Macacos me mordam (1984, Record)
• A vitória da infância (1984, Editora Nacional)
• A faca de dois gumes (1985, Record)
• O pintor que pintou o sete (1987, Berlendis & Vertecchia)
• Martini Seco (1987, Ática)
• O tabuleiro das damas (1988, Record)
• De cabeça para baixo (1989, Record)
• A volta por cima (1990, Record)
• Zélia, uma paixão (1991, Record)
• O bom ladrão (1992, Ática)
• Aqui estamos todos nus (1993, Record)
• Os restos mortais (1993, Ática)
• A nudez da verdade (1994, Ática)
• Com a graça de Deus (1995, Record)
• O outro gume da faca (1996, Ática)
• Um corpo de mulher (1997, Ática)
• O homem feito (1998, Ática)
• Amor de Capitu (1998, Ática)
• No fim dá certo (1998, Record)
• A chave do enigma (1999, Record)
• O galo músico (1999, Record)
• Cara ou coroa? (2000, Ática)
• Duas novelas de amor (2000, Ática)
• Livro aberto – Páginas soltas ao longo do tempo (2001, Record)
• Os caçadores de mentira (2003, Rocco)
• Os movimentos simulados (2004, Record)

Correspondências publicadas
• Cartas a um jovem escritor e suas respostas (1993, Editora Record) – correspondência com Mário de Andrade.

• Cartas perto do coração – correspondência com Clarice Lispector (2001, Editora Record)

• Cartas na mesa – correspondência com Paulo Mendes Campos, Otto Lara Resende e Hélio Pellegrino (2002. Editora Record)

Referências: http://fernandosabino.com.br/

terça-feira, 7 de outubro de 2014

A Cabana - William P. Young


A Cabana

Autor: YOUNG, WILLIAM P.
Tradutor: CALADO, ALVES
Editora: ARQUEIRO

Sinopse:

A filha mais nova de Mackenzie Allen Philip foi raptada durante as férias em família e há evidências de que ela foi brutalmente assassinada e abandonada numa cabana. Quatro anos mais tarde, Mack recebe uma nota suspeita, aparentemente vinda de Deus, convidando-o para voltar àquela cabana e passar o fim de semana. Ignorando alertas de que poderia ser uma cilada, ele segue numa tarde de inverno e volta ao cenário de seu pior pesadelo. O que encontra lá pode mudar sua vida para sempre.

****

"— Estou cheio, Deus — sussurrou. — Não posso mais. Estou cansado de tentar encontrá-lo em tudo isso. — E saiu pela porta. Decidiu que esta era a última vez que procuraria Deus. Se Deus o quisesse, teria de vir encontrá-lo". 

A Cabana é um livro daqueles que valem a pena ter no acervo pessoal, pois além do autor trazer à tona alguns dos mais profundos questionamentos inerentes à alma humana, tem um enredo bem escrito, belas mensagens, é cativante.

Se Deus é bom, por que permite que seus filhos sofram? Não seria bem mais simples "reformar" o mundo e retirar todo o mal?
E qual a visão que temos de Deus? Como é a relação do divino e o humano? Para que fomos criados? O que é sabedoria?

Longe de ser um discurso teológico ou dogmático ostensivo, este livro não impõe regras, apenas proporciona uma reflexão, uma outra visão das coisas, no mínimo divertida e exótica.

Indico, é uma ótima leitura!

"Todo amor e relacionamento só são possíveis para vocês porque já existem dentro de Mim, dentro do próprio Deus. O amor não é a limitação. O amor é o voo. Eu sou o amor."

domingo, 28 de setembro de 2014

Como a Literatura explica minha saudade do mar

Gosto de Literatura porque ela explica até a minha saudade do mar!



"Não obstante, Ulmo ama elfos e homens e nunca os abandonou, nem mesmo quando foram alvo da ira dos Valar. Às vezes, ele vem despercebido ao litoral da Terra-média, ou entra terra adentro, subindo por braços de mar para aí criar música com suas grandes trompas, as Ulumúri, que são feitas de concha branca; e aqueles que a escutam, passam a ouvi-la para sempre em seu coração, e o anseio pelo mar nunca mais os abandona. Na maioria das vezes, porém, Ulmo fala àqueles que moram na Terra-média com vozes que são ouvidas apenas como a música das águas". 

(TOLKIEN, J. R. R., in O Silmarillion)


quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Procura da poesia - Carlos Drummond de Andrade

Meu bate-papo com o Drummond, em 2013...

Não faças versos sobre acontecimentos.

Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.

O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.

Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.

Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?

Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

Gostou? Recomendo:




Alguma poesia

Primeiro livro publicado por Drummond, em 1930. Já neste primeiro trabalho, revolucionou a poesia brasileira, com o seu verso livre e linguagem direta.

Sites que recomendo - Memória Viva de Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade (Itabira, 31 de outubro de 1902 — Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987) foi um poeta, contista e cronista brasileiro.

Na poesia, do modernismo herda a liberdade linguística, o verso livre, o metro livre, as temáticas cotidianas, mas vai além. "A obra de Drummond alcança — como Fernando Pessoa ou Jorge de Lima, Herberto Helder ou Murilo Mendes — um coeficiente de solidão, que o desprende do próprio solo da História, levando o leitor a uma atitude livre de referências, ou de marcas ideológicas, ou prospectivas", afirma Alfredo Bosi (1994).

Fonte:Wikipedia

 ******
Drummond sempre foi um dos meus autores favoritos. A impressão que eu tenho é que ele brincava com as palavras, orquestrando qual maestro a métrica e o caos, o cotidiano e o eterno, o importante e o banal, transformando tudo em arte - ou em ouro, com seu toque de Midas.

Recomendo aos meus amigos e leitores o site "Memória Viva de Carlos Drummond de Andrade", que disponibiliza as poesias (inclusive algumas gravações preciosas, na voz do autor), bibliografia, vídeos e várias outras informações.

Segue o link abaixo. Visitem!

http://drummond.memoriaviva.com.br

sábado, 13 de setembro de 2014

História da Literatura Ocidental sem as partes chatas - Sandra Newman

Indicação de leitura - Crítica literária:

Para você, que como eu, ama Literatura, mas ao mesmo tempo sabe que nem em 150 anos daria tempo de ler todos os livros bons do mundo, aqui vai uma sugestão: os clássicos são importantíssimos, isso não se discute. Mas gosto é igual a nariz, cada um tem o seu. Então como eleger o melhor?
O que dizer de cada autor? Adoro Machado de Assis, porém achei Herman Melville (Moby Dick) um chato, apesar de repetir: posso não ter gostado, mas é um clássico e tem seu mérito.

Outro dia, visitando uma livraria, fiquei encantada pelo título "História da Literatura Ocidental sem as partes chatas", da autora Sandra Newman. Esse livro faz um "passeio" através de toda a Literatura Ocidental, de todas as fases - desde os clássicos gregos até o romance moderno, passando por Homero, Shakespeare, Voltaire, Rousseau, Victor Hugo, Jane Austen, Dostoievski, Tolstoi, James Joyce, Proust e Virginia Woolf. Além disso, traz divertidos resumos de enredos, definições bem-humoradas de movimentos literários e fatos reveladores sobre a vida dos escritores.

Com certeza é um livro bem instrutivo e servirá de roteiro para você ler - ou não - alguns dos melhores clássicos da Literatura.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

PERCY JACKSON E OS OLIMPIANOS, LIVRO 1 - O LADRÃO DE RAIOS



Autor: RIORDAN, RICK

Editora: INTRÍNSECA

Gênero: INFANTOJUVENIS - LITERATURA JUVENIL


Sinopse:

Nesta obra, o autor conjuga lendas da mitologia grega com aventuras no século XXI. Nelas, os deuses do Olimpo continuam vivos, ainda se apaixonam por mortais e geram filhos metade deuses, metade humanos, como os heróis da Grécia antiga. Marcados pelo destino, eles dificilmente passam da adolescência. Poucos conseguem descobrir sua identidade. O garoto-problema Percy Jackson é um deles. Tem experiências estranhas em que deuses e monstros mitológicos parecem saltar das páginas dos livros direto para a sua vida. Pior que isso - algumas dessas criaturas estão bastante irritadas. Um artefato precioso foi roubado do Monte Olimpo e Percy é o principal suspeito. Para restaurar a paz, ele e seus amigos - jovens heróis modernos - terão de fazer mais do que capturar o verdadeiro ladrão- precisam elucidar uma traição mais ameaçadora que a fúria dos deuses.

Minha opinião:

Gostei, é uma literatura de fantasia leve, fácil de ler e com trama bem estruturada, perfeita para agradar adolescentes ávidos em busca de leitura.
A maior sacada desta série é recriar uma história em que os deuses e heróis da mitologia grega estejam perfeitamente integrados no cenário estadunidense moderno.
Em relação ao filme: o livro é bem melhor, principalmente no desfecho do último capítulo.
Ficou curioso? Leia!



Sinopse retirada do site da Livraria Cultura

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